DISCURSOS GASTRONÔMICOS E MACARRÔNICOS

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Confraria (secreta) dos chefs

Eram sete. Reuniam-se uma vez por semana na casa de um, sempre às segundas-feiras, dia de folga. Levavam um vidro de picles, tremoço, coxinhas, latas de sardinha, salsichas, croquetinhos, mortadela, pão e catchup. E bebiam muito. Rabo-de-galo, coca com vodka, jurupinga, catuaba e o que viesse de comum ou mais trash. Era dia de colocar o espírito encharcado de profissionalismo e poses secando em algum varal. De deixar as frescuras do lado de fora da festa. Ninguém conseguia bancar por muito tempo a hipocrisia do glamour em que viviam. Era preciso vez ou outra usar e abusar de uma válvula de escape.
- Um brinde a esse mundo chato da porra!
- Cheio de etiquetas.
- Cheio de blá, blá, blá!
- Cheio de formalidades.
- Cheio de gente metida e interesseira!
- Um brinde a esse mundo chato da porra!
- Tim-tim!
No dia seguinte acordavam com enxaqueca, sem vontade de prosa, pensando nos peixes frescos que haveriam de chegar, no menu confiance, nas facas novas, no fornecedor de cogumelos, na matéria de capa, na receita inédita, no uniforme engomado, no teste do sorbet, na troca de cozinheiros. Cada um em seu bistrô. A semana começava fria e ia esquentando com a adrenalina da pressão e dos desafios que ocorrem dentro da cozinha.
Eram sociáveis, simpáticos, conquistadores, talentosos, charmosos e canalhas.
E faziam um sucesso danado.

6 comentários:

Andreia disse...

achei fantástico!
rs...

andrea disse...

pois é...a vida é feita de pausas

Anônimo disse...

ADOREÍIIIIIIIIIIIII !!!!!
Muito mesmo, e dei boas gargalhadas....
Ontem tivermos um encontro parecido com este, rs rs
mandamos a etiqueta social e os bla bla blas,,,,,,,para longe,,,rs rs
é bão dimaisssssssss!!!! rs rs
Beijossssss e um ótimo fím de semana proce .
Obs: Estou sempre víndo lhe visitar, as vezes caladinha, mas curtindo muito seu cantinho. rs rs

Anônimo disse...

ahhhhhh esqueci de assinar, rs rs
MINEIRA

Regina Bui disse...

hehehehe...

Anita disse...

E' o teatro das aparencias e do profissionalismo, que desaba diante do primeiro fim de semana de folga regado a mortadela e azeitona.