DISCURSOS GASTRONÔMICOS E MACARRÔNICOS

domingo, 11 de maio de 2008

Um salmão (nada) despretensioso

Sábado de manhã, fui convidada repentinamente para um almoço em casa de estranhos (essas coisas que acontecem a todos). Prato principal: o salmão que inquisidoramente dormia na churrasqueira. Achei muito estranho, a princípio, o enorme peixe envolto no caderno cultural da Folha de S. Paulo, que delineava sua forma, amarrado bem firme com várias voltas de barbante. A aniversariante, por sua vez, me explicou que havia procurado uma receita no Google (ah, esses conselhos de internet...) e achou essa do jornal interessante, porque “fazia com que a pele, ao final do cozimento na brasa, se desprendesse da carne”.
Bem, quero com isso informar ao caro leitor blogueiro que a pele do salmão se desprende facilmente quando cozida, frita e assada, com papel alumínio ou celofane. Enfim, não há necessidade alguma de usar jornal para obter um resultado diferente na comida. E alguém garante que a tinta não libera toxinas em contato com o calor? Definitivamente não havia necessidade do jornal.
Fiquei incerta quanto ao resultado: será que iria comprometer o sabor?
Após meia hora de cada lado, encerrava seu tempo no purgatório (não que ele merecesse), então começamos a desamarrar o salmão. Estava inteiro, com rabo e cabeça, e seu interior, recheado com ervas frescas, como tomilho, sálvia e endro.
Previsivelmente, sua pele se soltava junto com a gordura das laterais, bastava empurrar delicadamente com o auxílio de um garfo.
Algumas cebolas com casca, também despretensiosas, tostavam ao lado do peixe e acima das brasas.
Mesmo tendo reprovado o uso do papel jornal, confesso que aquele salmão me deu um final feliz. As ervas frescas deixaram-no com sabor suavemente delicado e outro segredo fundamental contribuiu para o sucesso do peixe: o ponto, exato, que deixou a carne úmida e tenra, o que seria impossível se os convivas tivessem deixado o peixe desidratando no calor.
Alguém apareceu com um cuscus divino, simples e honesto, cuja maciez fez a parceria perfeita com o peixe noticioso, que poderia levar o nome de Salmone a la Otávio Frias!..

Um comentário:

Silvio Caethano disse...

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